Recentemente formada, a MBRF (MBRF3), resultante da fusão da Marfrig com a empresa detentora das marcas Sadia e Perdigão, continuará dependendo do mercado de carne de frango nos próximos anos, possivelmente até 2029.
Com a escassez de gado nos Estados Unidos, onde o rebanho está no menor nível em cinco décadas e a recuperação deve demorar, a lucratividade da empresa de Marcos Molina estará sujeita às variações do ciclo do frango, provenientes dos negócios da BRF.
Nos últimos dois anos e meio, as margens de lucro da carne de frango foram excepcionais em todo o mundo, devido a problemas genéticos que dificultaram o aumento da oferta de aves, aliados ao baixo custo dos grãos utilizados na ração animal.
No Brasil, empresas como Seara e BRF registraram as maiores margens de lucro da história. Esse mesmo movimento foi observado no mercado americano, com resultados expressivos da Pilgrim’ Pride, empresa listada na Nasdaq e controlada pela JBS, e da Tyson Foods.
De acordo com Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, em entrevista ao The AgriBiz, tudo indica que o ciclo favorável do frango ainda terá continuidade por mais algum tempo.
No entanto, as margens altas dos últimos anos provavelmente não se manterão indefinidamente, o que pode representar um desafio para a MBRF na valorização de suas ações na bolsa.
Segundo um relatório divulgado na quarta-feira por analistas da XP Investimentos, as margens de lucro da BRF devem se estabilizar nos próximos anos, com uma ligeira redução ao longo do tempo.
Apesar de ainda bastante positivas, a queda gradual da lucratividade, resultado da normalização do ciclo do frango, pode dificultar a valorização das ações da MBRF.
Durante os próximos dois anos, estima-se que a BRF representará cerca de 80% do Ebitda da MBRF, o que tornará a normalização das margens do frango um fator crucial para a avaliação e os resultados de curto prazo, de acordo com os analistas da XP.
Nesse período de dois anos, a National Beef, a divisão de carne bovina da MBRF nos Estados Unidos, deve continuar enfrentando margens apertadas devido à escassez de gado.
Segundo a XP, a margem Ebitda da National Beef permanecerá próxima de zero pelo menos até o próximo ano, com uma melhora significativa prevista somente em 2029.
Dessa forma, qualquer surpresa positiva nos resultados da MBRF provavelmente virá do segmento de carne de frango, uma vez que a divisão de carne bovina da América do Sul possui pouca relevância no cenário geral, representando apenas 11% do total.
Este conteúdo foi produzido por The AgriBiz.






