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Dados consultados às 18:17.

Manutenção da Selic em 15% prejudica a economia brasileira e afasta país do cenário global de juros reais, apontam CNI e FINDES

Um estudo inédito realizado pela CNI revelou que 80% das empresas industriais enfrentam dificuldades para obter crédito de curto prazo devido à alta taxa de juros

A decisão do Copom de manter a Selic em 15% ao ano está sendo criticada pela CNI e pela FINDES, que acreditam que isso prejudica a economia e deixa o Brasil isolado no cenário internacional de juros reais.

Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que a política monetária demasiadamente contracionista está prejudicando o país, já que a inflação está em declínio. Ele ressaltou que a taxa de juros atual está trazendo custos desnecessários, impactando o mercado de trabalho e o bem-estar da população, além de penalizar duramente o setor produtivo.

Uma pesquisa inédita da CNI revelou que 80% das empresas industriais consideram a taxa de juros elevada como o maior obstáculo para acessar crédito de curto prazo. Quando se trata de crédito de longo prazo, 71% dos empresários apontam a Selic como a principal barreira.

O aumento recente das alíquotas do IOF também tem impacto negativo, reduzindo o crédito e os investimentos. Quase metade das indústrias pesquisadas desistiram de contratar ou renovar créditos após o aumento das alíquotas do IOF.

Brasil é pária internacional dos juros reais

Alban destaca que a decisão do Copom vai na contramão do cenário global de redução de juros. Enquanto o banco central dos Estados Unidos diminuiu a taxa básica de juros, o Brasil está aumentando ainda mais o diferencial em relação aos EUA, o que é prejudicial.

Alban defende que o Banco Central reduza os juros na próxima reunião e ressalta a importância de um pacto da sociedade para ajustar as contas públicas, com corte de despesas que permitam uma redução consistente dos juros.

Selic é a maior em quase 20 anos

A Selic atingiu o nível mais alto em quase duas décadas, resultando em uma taxa de juros real significativamente acima do necessário para controlar a inflação e promover o crescimento econômico.

O crédito tem se tornado mais caro com a Selic elevada, impactando tanto as empresas quanto os consumidores, o que contribui para um aumento na inadimplência e uma desaceleração da atividade econômica.

Atividade econômica com evidente perda de ritmo

O custo do financiamento elevado e as condições financeiras delicadas afetam o crescimento do PIB, que apresenta sinais de desaceleração nos últimos trimestres.

Inflação com sinais favoráveis

Apesar da manutenção da Selic, a inflação tem mostrado uma tendência de queda, impulsionada pela redução nos preços de alimentos e bens industriais, que estão se beneficiando da apreciação do real.

As expectativas de inflação para os próximos anos vêm sendo revisadas para baixo, o que indica uma melhora no cenário econômico.

Por CNI